quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Alma da Ciência - Nancy R. Pearcey e Charles B. Thaxton

Sinopse

"Considero a Alma da Ciência como o livro mais significante que, em nossa era científica, deveria ser lido por todos os cristãos que pensam e por todos os cientistas. Os autores demonstram como o desabrochar da moderna ciência dependeu da cosmovisão judaico-cristã da existência de um universo real, físico e contingente, criado e sustentado por um Deus pessoal onipotente, com o ser humano possuindo as capacidades da racionalidade e da criatividade, sendo assim capaz de investigar esse universo. Pearcey e Thaxton fazem excelente uso de analogias para elucidar conceitos difíceis. A clareza de suas explicações para leigos, por exemplo da teoria da relatividade de Einstein ou sobre o conteúdo informacional do DNA e suas conseqüências para as teorias da evolução prebiótica, são excepcionais.

Dr. David Shotton, professor de Biologia Celular
Departamento de Zoologia, Universidade de Oxford

"Pearcey e Thaxton demonstram que a aliança entre ateísmo e ciência é uma aberração temporária e que, longe de haver sido inimigo da ciência, o teísmo cristão desempenhou e continuará a desempenhar um importante papel no crescimento da compreensão científica. Este brilhante livro merece ser amplamente lido."

Phillip E. Johnson
Universidade da Califórnia, Berkeley

Nancy Pearcey é uma escritora científica e editora colaboradora do Pascal Centre for Advance Studies and Faith.

Charles Thaxton tem Ph.D. em Química e fez pós-doutorado em História da Ciência em Harvard.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Esfera Histórica na Filosofia Reformacional por Guilherme de Carvalho

Sobre a esfera analítica temos a esfera histórica. A história é realizada por pessoas capazes de pensar logicamente, não existindo história entre animais e vegetais. Isso indica que a ela é uma esfera pós-analítica. Além disso, a história é feita por pessoas capazes de realizar ações resultantes de julgamento racional e livre escolha. As aves constroem ninhos desde antes do seres humanos, mas sua ação se baseia no instinto animal, não envolvendo planejamento racional nem intencionalidade. Por isso as ações de animais se dão dentro de uma estrutura bastante estática, sem produção de cultura ou desenvolvimento de cultura. Já as ações humanas refletem um poder criativo, de transcender as estruturas presentes de vida e constituir novas estruturas de modo intencional, gerando um processo dinâmico de desenvolvimento cultural.

O momento nuclear da esfera histórica não é, como muitas vezes se pensa, a transformação ou mudança. Como observa SPIER, a mudança se origina na esfera físico-energética, como produto da interação entre entidades. Considerar a história como sendo meramente a mudança dentro do tempo colocaria eventos como a história da floresta Amazônica, ou do sistema solar, ou da formação dos continentes no mesmo nível da história humana, o que percebemos intuitivamente ser improdutivo. História humana e história natural são realidades distintas.

Mas o que seria exatamente a história? Fica mais fácil responder quando percebemos que nem todo acontecimento ou ato humano é histórico. Todos os dias o brasileiro almoça por volta das 12 horas. Isso não é um acontecimento histórico. Mas quando a nação se uniu pelo Impeachment do presidente Fernando Collor, tivemos um acontecimento histórico, por que esse acontecimento influenciou decisivamente a vida e a cultura da nação brasileira. Desse modo, o histórico é aquilo que molda ou constitui uma cultura alterando-a estruturalmente. O momento nuclear da modalidade histórica seria assim o poder formativo, ou a formação cultural. Justamente esse núcleo distingue a “história natural” da história humana. Na definição de Dooyeweerd: “A formação controlada de uma certa aptidão, estrutura ou situação tornando-a algo que não poderia ter vindo a existir de outra forma. É a realização livre e normativa de uma coisa dentro do processo da cultura.”

A esfera histórica precede as esferas da linguagem, da sociedade, da economia, da estética, da justiça, da ética e da fé. Todas elas, por conseguinte, contém em seu substrato o momento do poder formativo. A linguagem é formada, bem como as formas sociais, os padrões estéticos, as leis, a ética. A própria fé tem um momento de formação. Existe portanto um núcleo de verdade na frase “tudo é história”. De fato, cada objeto, ação humana, evento, instituição social e produto cultural tem um aspecto histórico que “quebra a condição estática da existência e o ciclo monótono das coisas naturais, dando à existência humana a forma do desenvolvimento linear.”

Mas se dissermos que “tudo é história”, isso não implicaria que não há qualquer absoluto dentro da cultura humana? O surgimento no século XIX da consciência histórica, como vemos no pensamento de RANKE, HEGEL e DILTHEY, envolveu uma grande crise epistemológica. O problema que surgiu era justamente a possibilidade de qualquer estrutura normativa ou universal na experiência humana. Será que tudo o que existe em nossa cultura, num determinado momento, é meramente um resultado da criação humana livre, dentro de certa etapa do processo histórico? Se assim for, cairíamos num fluxo constante de transformação no qual a verdade é apenas o processo, e tudo o que é verdadeiro hoje não será mais amanhã. É desnecessário dizer que tal perspectiva nos levaria à negação da realidade de qualquer revelação divina intra-histórica, uma vez que tudo o que é intra-histórico é relativo; Jesus Cristo não poderia ser considerado o clímax da revelação de Deus.

Essa absolutização, que considera todas as dimensões da experiência humana como meras construções históricas, frutos do poder formativo do ser humano sobre sua própria cultura, denomina-se historicismo:

“O historicismo radical faz do ponto de vista histórico aquele todo-abrangente, absorvendo todos os outros aspectos do horizonte da experiência humana. Mesmo o centro religioso da experiência humana, o ego humano ou o “eu” (selfhood), é reduzido ao fluxo dos momentos históricos da consciência. Todos os nossos padrões científicos, filosóficos, éticos, estéticos, políticos e religiosos, bem como nossas concepções são vistos como a expressão da mente de uma cultura ou civilização particular. Cada civilização tem se levantado e caído no curso todo-abrangente do desenvolvimento histórico. Uma vez que sua florescência termina, ela está destinada ao declínio. E é meramente uma ilusão dogmática pensar que o homem poderia ser capaz de ver seu mundo e sua vida de outro ponto de vista que não seja histórico. A história não tem janelas para a eternidade. O homem está completamente contido por ela e não pode se elevar a um nível supra-histórico de contemplação. A história é ser total e o fim total da existência humana e de suas faculdades de experiência. E tudo isso é governado pelo destino, o inescapável Fado.”

É um erro no entanto absolutizar a dimensão histórica da experiência de tal modo que não somente a positivização humana das normas modais seja considerada um produto histórico, mas também que a própria crença na existência de tais normas seja considerado um mero produto transitório dentro do processo histórico. Dizer que “tudo é história” no sentido de que tudo tem uma dimensão histórica, é algo bem diferente de dizer que “a história é tudo”, como se tudo fosse meramente construído pelo homem. O erro dessa concepção é visível, em primeiro lugar, (1) quando nos lembramos que toda absolutização de uma esfera da experiência ocorre quando elevamos uma síntese do aspecto lógico com um não-lógico (no caso, o histórico) à condição de arché, isto é, de princípio originante e normativo de todo o cosmo. O historicismo desconsidera que o próprio conceito de história, sendo um conceito teórico, é fruto de abstração, não correspondendo ontologicamente, portanto, à realidade concreta. O conceito de história é um produto intelectual, devendo sempre manter o caráter relativo de todos esses produtos. Forçar uma sujeição da própria realidade concreta a uma teoria limitada da realidade é contraditório. (2) Uma vez que toda absolutização do relativo envolve uma contradição interna, devemos destacar que o próprio conceito historicista de cultura é fruto de um determinado processo histórico, vindo à luz com a crise do iluminismo e o impacto do movimento romântico. Se o historicismo é verdadeiro para toda a história, então toda concepção teórica e relativa ao momento histórico. Mas o próprio historicismo é uma concepção teórica relativa, pois surgiu dentro da história; nesse caso, ele não pode ser verdadeiro para toda a história. Vemos assim, que o historicismo é uma teoria auto-referencialmente incoerente, isto é, implica em sua própria negação. (3) O historicismo gera também antinomias intermodais. Ele implica, por exemplo, que não podemos usar as leis da lógica para explicar fatos passados, pois as leis da lógica são relativas à história. Isso tornaria impossível a conceptualização da experiência histórica e a constituição de qualquer ciência histórica verdadeira. (4) Mais óbvio ao senso comum é o fato de que há estruturas na experiência humana que são universais. Assim, o sentimento do numinoso, a moralidade (não importa de qual tipo), a linguagem e a família biológica aparecem de modos diferentes em diferentes contextos, mas sempre aparecem, como dimensões fundamentais da existência humana. Se tudo fosse meramente “construído”, não haveria qualquer semelhança entre diferentes culturas. (5) Finalmente, a análise modal das ações humanas revela que elas são multidimensionais. Não existe ação que seja puramente histórica. Além da base formativa, as ações humanas mostram-se nas outras modalidades, tendo caráter jurídico, estético, econômico, fiduciário, etc.

Do fato de que a história é realizada por meio do poder formativo do homem, segue-se que nem todo indivíduo tem o mesmo poder de moldá-la. A história é feita primariamente por aqueles indivíduos que possuem poder histórico. Líderes da vida nacional, educadores, líderes eclesiásticos, economistas e cientistas que lideram o desenvolvimento cultural e alteram as estruturas da vida humana podem ser chamados de “personagens históricos” nesse sentido. Isso, naturalmente, não significa que as pessoas comuns estão fora do processo histórico; os líderes culturais só tem impacto porque outras pessoas se sujeitam a esse impacto. Além disso, um líder numa esfera da cultura pode ser um seguidor em outra. Portanto, de um modo ou de outro, todo indivíduo participa da história exercitando poder formativo.

O chamado para formar a história é um chamado divino, dado a toda a raça humana e também ao indivíduo, onde quer que ele esteja. Esse chamado repousa sobre o fato de sermos portadores da imagem de Deus, sendo assim capacitados a atuar de forma criativa, expressando por meio do trabalho a natureza criativa de Deus. Mas sua declaração explícita se encontra em Gênesis 1.28, quando Deus ordena ao homem que “encha a terra e a domine”, atuando no ofício de rei da terra. O chamado divino à formação da história pelo trabalho é geralmente denominado mandato cultural.

Devido à queda, foi introduzida no mundo uma antítese entre o homem natural, por um lado, e Deus, juntamente com os regenerados, por outro lado. A antítese se manifesta dentro da história na constituição de diferentes padrões e eventos culturais que refletem ou o espírito do mundo, ou o espírito de Deus. A atuação do espírito do mundo no homem natural produziu a cidade do mundo, ou civitas mundi, e a atuação divina gerou a civitas Dei. Essas duas comunidades humanas se misturam na terra mas cada uma exercita o poder cultural conforme o espírito que a anima. Assim os cristãos são chamados a seguir o Espírito de Deus e aplicar os princípios cristãos no exercício do poder cultural, para expressar na história a presença do Reino de Deus. O poder histórico, que muitos cristãos chegam a alcançar, deve ser considerado um “poder vocacional”, que implica uma tarefa para a pessoa que detém o poder. E o impacto do Reino de Deus no mundo depende da existência de indivíduos com poder cultural que moldam a história sob o poder do Reino.

Se passarmos a discutir o law-side da esfera histórica a primeira coisa a fazer é tentar identificar os princípios normativos aos quais os formadores históricos estão sujeitos, e que eles positivizam em sua ação formativa. (1) O primeiro princípio é o princípio do trabalho cultural, o chamado para dominar e formar os objetos naturais da criação, por meio da atividade técnica. Quanto a isso, Marx corretamente descreveu o ser humano como homo faber. (2) Outro princípio é o princípio da continuidade, o progresso ininterrupto do desenvolvimento cultural. O formador da história não pode ignorar o passado e buscar fazer algo completamente novo. Ninguém cria algo completamente novo, exceto Deus. Não há, portanto, ação histórica que não esteja inserida no fluxo linear da história humana. (3) Uma terceira norma é o princípio da integração, que se expressa na atualização e expressão daqueles recursos que Deus colocou no mundo como potenciais de produção. A progressiva recuperação desses potenciais e agregação ao capital cultural do homem torna possível uma cultura cada vez mais rica. (4) Ao lado do princípio de integração estão os princípios de diferenciação e individualização. Essas normas estimulam o desvelamento da tendência individual de pessoas, grupos humanos e nações inteiras, na constituição de estruturas culturais mais ou menos complexas.

Sendo a esfera histórica uma esfera normativa, os princípios históricos precisam ser positivizados, isto é, aplicados concretamente em todos os relacionamento humanos que tem um aspecto histórico. Isso significa que esses princípios tanto podem ser corretamente aplicados, como podem ser desobedecidos. A atitude reacionária, por exemplo, que valoriza o passado e se opõe a todo e qualquer progresso cultural, impede o enriquecimento da cultura, a reforma social e o cumprimento do mandato cultural. A atitude revolucionária, que nega totalmente o passado e busca um “novo começo” também é anti-normativa, quando leva o homem a romper totalmente com o passado e rejeitar conquistas culturais valiosas em nome de um ideal utópico.

A esfera histórica também apresenta analogias. A diversidade e pontualidade de acontecimentos históricos é uma analogia retrocipativa numérica. A noção de “espaço histórico”, ou de “esfera cultural” é uma analogia espacial. O movimento histórico é uma analogia retrocipativa cinética. A relação de causalidade na história é uma analogia físico-energética. A noção de desenvolvimento ou progresso histórico é uma analogia sutilmente diferente da noção de movimento histórico, pois envolve a presença de uma evolução orgânica, consistindo numa analogia biótica. A noção de “senso histórico” é uma analogia psíquica, e a de “lógica da história” (incluindo aqui a positivização filosófica das normas históricas) é uma analogia analítica. Os símbolos culturais (estátuas, documentos, etc) são analogias antecipatórias da esfera lingüística. O tempo cósmico se expressa nessa esfera nos períodos históricos, conforme o domínio de um determinado motivo cultural. A ciência histórica estuda, não somente a “esfera histórica”, mas toda realidade humana sob o ponto de vista histórico.

Por Guilherme de Carvalho - Extraído da apostila INTRODUÇÃO À FILOSOFIA CRISTÃ - Uma Introdução à Filosofia na Tradição Reformacional

O QUE É A FILOSOFIA REFORMACIONAL? por Guilherme de Carvalho

I. O QUE É A FILOSOFIA REFORMACIONAL?

Primeiramente, é claro, precisamos saber o que é filosofia. Mas há tantas definições de filosofia quanto existem filósofos; cada um tem um projeto filosófico diferente tornando quase impossível uma definição universal de filosofia. Isso, por um lado, não nos impede de fazer tentativas para encontrar algo comum às diversas filosofias. Por outro lado, nos dá liberdade para fazer novas propostas.

De um modo geral, podemos dizer que uma tarefa básica da filosofia é a crítica. No tempo dos Sofistas e de Sócrates, foi posto no centro da filosofia o questionamento, a pergunta crítica. Não se trata aqui apenas da pergunta pelo saber, como encontramos na ciência moderna, mas a pergunta crítica pelo saber; a pergunta que se volta sobre as respostas e as tornam objeto de perguntas. Foi assim que Sócrates nos ensinou a filosofar.

Mas antes dele, os pré-socráticos perguntavam sobre o cosmo. Eles queriam saber qual a sua estrutura, sua constituição básica. Essa pergunta pela totalidade, pelo sentido total do cosmo, utilizando a razão é mais antiga que Sócrates, e foi através dela que a filosofia ocidental teve início.

De um modo ou de outro, mesmo quando estamos ocupados com a crítica de qualquer coisa, o fazemos a partir de uma visão de mundo, e esse ponto de partida deve, finalmente, ser objeto de análise e compreensão. Ninguém crítica a partir do “nada”; para colocar algo “entre parêntesis” e realizar uma análise, é preciso ter algo “fora” dos parêntesis; é preciso um sistema para realizar a análise, uma base de comparação.

Origens da Filosofia Reformada

A filosofia reformada ou reformacional, é um movimento que teve origem na Holanda, no início do século XX, através do trabalho de Herman Dooyeweerd e de seu cunhado, D. T. H. Vollenhoven. Ambos foram professores na Universidade Livre de Amsterdam, e desenvolveram sistemas de filosofia cristã inspirados no pensamento neo-calvinista de Abraham Kuyper, teólogo, jornalista, e estadista cristão holandês. A característica básica do pensamento reformacional é a negação de toda autonomia humana em relação a Deus. Kuyper disse certa vez que “não há um único centímetro, em todos os departamentos da vida humana, sobre o qual Cristo, o Senhor de todos, não diga: é meu”. Segundo Kuyper, o cristianismo não seria um “culto” ou uma “doutrina”, meramente, mas um sistema total de vida e pensamento, uma “biocosmovisão”. Com essa compreensão ele dedicou sua vida à reforma da vida cultural holandesa a partir do evangelho.

Influenciados pelo ideal de Kuyper, um sem-número de intelectuais, filósofos, cientistas e políticos cristãos dedicaram-se a reformar a cultura. Dooyeweerd e Vollenhoven dedicaram-se à filosofia, procurando empreender uma ampla reforma do pensamento teórico. Esses filósofos perceberam que o domínio do humanismo sobre a intelectualidade ocidental precisava ser quebrado, se o cristianismo pretendesse se articular como um sistema total de vida, e isso não seria possível se os cristãos continuassem lutando com as mesmas armas do inimigo, utilizando sistemas filosóficos contrários à cosmovisão cristã. Assim dedicaram-se à reforma radical do pensamento teórico, procurando reconstituir a filosofia desde suas bases, de forma coerente com a cosmovisão Bíblica. Surgiu assim a filosofia reformacional, distinguindo-se da filosofia humanista e da filosofia escolástica católica, comprometida com a correção permanente do pensamento a partir do evangelho.

Kuyperianismo e Filosofia

A perspectiva Kuyperiana ofereceu uma orientação bem definida para a filosofia cristã. Em primeiro lugar, naturalmente, mostrou a necessidade de uma nova crítica do pensamento filosófico. A filosofia ocidental ignora a crença em Deus sistematicamente, não simplesmente negando sua existência, mas evitando pressupor essa existência ao tratar dos problemas filosóficos, isto é, considerando-o irrelevante para a filosofia. Uma vez que na perspectiva bíblica todas as dimensões da vida devem operar Coram Deo, diante de Deus, esse estado de coisas é inaceitável ao cristão, não somente porque não está de acordo com a sua religião, mas porque não está de acordo com a estrutura da própria realidade!

Portanto, é necessária uma nova crítica de tudo o que a mente secular tem produzido desde os gregos.

Mas, além disso, é preciso lembrar, não há crítica sem ponto de partida, sem visão de mundo. Isso implica, portanto, a necessidade de articular uma visão de totalidade, procurando explicar racionalmente a estrutura básica do cosmo, e localizando, inclusive, o lugar da razão no cosmo. Uma das características mais importantes do pensamento reformacional é esse compromisso com uma explicação da totalidade do cosmo.

E aqui se encontra a principal contribuição do pensamento Kuyperiano para o cristianismo contemporâneo: a idéia de tomar a cosmovisão cristã não como o resultado de uma reflexão filosófica e científica, para convencer os incrédulos usando a cosmovisão deles, mas como o ponto de partida para realizar toda reflexão filosófica e científica, trazendo os incrédulos para a nossa cosmovisão. Afinal de contas, para salvar alguém num barco furado, é muito melhor trazê-lo para o nosso barco, do que entrar no barco dele para ajudá-lo a tirar a água! Essa nova perspectiva é geralmente denominada pressuposicionalismo.

A proposta filosófica dos gregos, tanto em seu estágio mais primitivo, “cosmológico”, como em sua forma “socrática”, não está errada do ponto de vista formal. Sua falha está no dogma da autonomia religiosa da razão. Esse dogma foi adotado no pensamento humanista moderno e contemporâneo, sendo pressuposto acriticamente pela maior parte dos pensadores seculares – e até pelos cristãos! Kuyper e Dooyeweerd desafiaram esse dogma ao sustentar que a filosofia pode e deve ser conduzida pelos cristãos trocando a centralidade da razão pela centralidade da religião.

Nosso Caminho

Nosso caminho nesse estudo será a apresentação da filosofia reformacional, desenvolvida por pensadores reformados a partir da cosmovisão bíblica expressa no pensamento de AGOSTINHO, CALVINO e ABRAHAM KUYPER. O estudo será basicamente uma exposição do pensamento de HERMAN DOOYEWEERD, o principal filósofo reformado do século XX, mas tomaremos liberdades apresentando idéias de outros filósofos e também algumas idéias próprias. A primeira parte trata da crítica transcendental do pensamento teórico; a segunda oferece uma apresentação sistemática da filosofia reformacional. Ao fim do estudo o leitor tem um apêndice com alguns trechos de Dooyeweerd em inglês e um glossário de filosofia reformacional.

Extraído da apostila INTRODUÇÃO À FILOSOFIA CRISTÃ - Uma Introdução à Filosofia na Tradição Reformacional

Bibliografia da História da Arte e Estética Reformacional

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1. Art, Artists and Gauguin

2. New Orleans Jazz, Mahalia Jackson and the Philosophy of Art

3. The Creative Gift, Dürer, Dada and Desolation Row

4. Western Art and the Meanderings of a Culture

5. Modern Art and the Death of a Culture

6. Our Calling and God’s Hand in History


Richard and Janice Russell The darkening West: a study in contemporary art and philosophy (available from CSU here.)

Calvin Seerveld Seerveld's books are available from Tuppence Press (in North America) and the Christian Studies Unit (in the UK) and Piquant (in the UK) Rainbows for a Fallen World. Toronto: Tuppence Press, 2005 Bearing Fresh Olive Leaves: Alternative Steps in Understanding Art Piquant 2000.

The gift of artistry - God's clothing for human life

Creativity [pdf] Big Picture 1 (3) (Trinity 1999): 5-6, 31-32.

Vollenhoven's legacy for art historiography. Philosophia Reformata 58(1983): 49-79.

Towards a cartographic methodology for art. J. Aesthetics and Art Criticism 39 (2) (1980): 143-154.

•'Two Writers Engage in Rainbow Action: Nick Looks at Cal; Cal Looks at Nick' in Vanguard 10.6 1980 4, 5 and 18

On Seerveld:

Gregory Baus Seerveld’s Hineinlebenshaltung

Lambert Zuidervaart and Hernry Luttikhuizen eds., Pledges of Jubilee. Grand Rapids: Eerdmans, 1995

Lambert Zuidervaart, Artistic Truth: Aesthetics, Discourse, and Imaginative Disclosure. Cambridge University press, forthcoming.

Lambert Zuidervaart and Henry Luttikhuizen, eds., The Arts, Community and Cultural Democracy (St. Martin's, 2000)


Fonte: http://www.allofliferedeemed.co.uk/furtherinformation.htm#313450101