sábado, 7 de abril de 2012

O Rui Tavares, o feudalismo, e o o igualitarismo ético/político

O Rui Tavares, o feudalismo, e o o igualitarismo ético/político

by O. Braga

Eu sigo a escrita do Avenida da Liberdade, e soube deste artigo de Rui Tavares por estoutro de Ribeiro e Castro. Compreendo a posição de Rui Tavares porque ele próprio se confrontou um problema de legitimidade política quando entrou em dissidência com o Bloco de Esquerda. Gostaria, a propósito, de fazer as seguintes observações:







'Angelus', de Jean-François Millet

O termo “feudalismo” está mal empregue no texto, e vindo de alguém como Rui Tavares, não me parece inocente. Saiba o leitor * que, pelo menos na península ibérica, o sistema feudal não era um sistema de escravatura: pelo contrário, um servo da gleba era livre de mudar de feudo [de patrão] quando os seus interesses estavam em causa. Se o Rui Tavares não sabia disso, que aprenda.



Talvez a figura ideológica que o Rui Tavares pudesse ter utilizado para ilustrar a sua ideia, seria a do chefe de família na Roma Antiga, que decidia da vida e da morte, não só dos seus escravos, mas também da sua mulher, amantes, dos fetos em gestação [aborto livre], filhos e principalmente filhas que eram vulgarmente “expostas” ou mortas à nascença.



Ora, isto não acontecia no feudalismo: sempre existiram casos de crianças “expostas” mas essa prática era social e culturalmente criticada na sociedade feudal, que criou um sistema de acolhimento dessas crianças expostas [vem daí, por exemplo, o nome italiano “Esposito”] através dos conventos femininos espalhados pelo território nacional.



O ataque de Rui Tavares --- e da Esquerda, em geral --- ao feudalismo tem exactamente a ver com duas coisas: a tentativa ideológica de estigmatizar a religião cristã, por um lado, e por outro lado, a tentativa de fazer esquecer, na nossa cultura, a barbárie do paganismo.



A quebra de disciplina de voto não é um fim em si mesmo: antes, é um meio para atingir determinado fim. E é em função do significado político desse fim que a indisciplina de voto pode ser exercida. Por isso, não tem o mesmo ou equivalente significado político, de serviço dos interesses nacionais, o voto de Ribeiro e Castro contra a lei laboral para salvaguardar o feriado de 1º de Dezembro, por um lado, e por outro lado, por exemplo, a indisciplina de voto de Mesquita Nunes a favor da adopção de crianças por pares de homossexuais. Nem tão pouco se pode comparar as razões de Ribeiro e Castro com as razões de Isabel Moreira — refiro-me aos fins políticos procurados pelos meios.

Colocar todas as situações num mesmo plano do “interesse nacional”, seria eliminar os valores e a hierarquia de valores que subjazem à utilização dos meios [neste caso, a indisiciplina de voto] para atingir determinados fins [o interesse nacional].



* [extensivo às leitoras, pela semântica e por juízo universal]

O. Braga
Sábado, 7 Abril 2012 at 3:57 pm
Categorias: A vida custa, cultura, Esta gente vota, Política, Portugal
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Divulgação: http://cultura-calvinista.blogspot.com/

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