sábado, 14 de abril de 2012

Carta de Princípios 2012 do Mackenzie: Corrupção

Carta de Princípios 2012 do Mackenzie: Corrupção
http://corrupcaojuridica.blogspot.com.br/2012/04/carta-de-principios-2012-do-mackenzie.html

sábado, 7 de abril de 2012

O Rui Tavares, o feudalismo, e o o igualitarismo ético/político

O Rui Tavares, o feudalismo, e o o igualitarismo ético/político

by O. Braga

Eu sigo a escrita do Avenida da Liberdade, e soube deste artigo de Rui Tavares por estoutro de Ribeiro e Castro. Compreendo a posição de Rui Tavares porque ele próprio se confrontou um problema de legitimidade política quando entrou em dissidência com o Bloco de Esquerda. Gostaria, a propósito, de fazer as seguintes observações:







'Angelus', de Jean-François Millet

O termo “feudalismo” está mal empregue no texto, e vindo de alguém como Rui Tavares, não me parece inocente. Saiba o leitor * que, pelo menos na península ibérica, o sistema feudal não era um sistema de escravatura: pelo contrário, um servo da gleba era livre de mudar de feudo [de patrão] quando os seus interesses estavam em causa. Se o Rui Tavares não sabia disso, que aprenda.



Talvez a figura ideológica que o Rui Tavares pudesse ter utilizado para ilustrar a sua ideia, seria a do chefe de família na Roma Antiga, que decidia da vida e da morte, não só dos seus escravos, mas também da sua mulher, amantes, dos fetos em gestação [aborto livre], filhos e principalmente filhas que eram vulgarmente “expostas” ou mortas à nascença.



Ora, isto não acontecia no feudalismo: sempre existiram casos de crianças “expostas” mas essa prática era social e culturalmente criticada na sociedade feudal, que criou um sistema de acolhimento dessas crianças expostas [vem daí, por exemplo, o nome italiano “Esposito”] através dos conventos femininos espalhados pelo território nacional.



O ataque de Rui Tavares --- e da Esquerda, em geral --- ao feudalismo tem exactamente a ver com duas coisas: a tentativa ideológica de estigmatizar a religião cristã, por um lado, e por outro lado, a tentativa de fazer esquecer, na nossa cultura, a barbárie do paganismo.



A quebra de disciplina de voto não é um fim em si mesmo: antes, é um meio para atingir determinado fim. E é em função do significado político desse fim que a indisciplina de voto pode ser exercida. Por isso, não tem o mesmo ou equivalente significado político, de serviço dos interesses nacionais, o voto de Ribeiro e Castro contra a lei laboral para salvaguardar o feriado de 1º de Dezembro, por um lado, e por outro lado, por exemplo, a indisciplina de voto de Mesquita Nunes a favor da adopção de crianças por pares de homossexuais. Nem tão pouco se pode comparar as razões de Ribeiro e Castro com as razões de Isabel Moreira — refiro-me aos fins políticos procurados pelos meios.

Colocar todas as situações num mesmo plano do “interesse nacional”, seria eliminar os valores e a hierarquia de valores que subjazem à utilização dos meios [neste caso, a indisiciplina de voto] para atingir determinados fins [o interesse nacional].



* [extensivo às leitoras, pela semântica e por juízo universal]

O. Braga
Sábado, 7 Abril 2012 at 3:57 pm
Categorias: A vida custa, cultura, Esta gente vota, Política, Portugal
URL: http://wp.me/p2jQx-aYd  

Divulgação: http://cultura-calvinista.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de abril de 2012

48 anos depois: notas sobre a ditadura militar

48 anos depois: notas sobre a ditadura militar


Hoje faz 48 anos que foi deflagrada a ditadura militar. E a polarização geral em torno do tema tem me desagradado profundamente.

Neste blog, e em meu livro a sair no final de abril pela editora Vida Nova - A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã -, discuto a impossibilidade de enxergar nuances, típica do pensamento de esquerda. Ora, muitas vezes os próprios conservadores não se isentam desse mal. No Brasil, o espírito da cordialidade convive paradoxalmente com uma adesão festiva ou raivosa (ou ambos!) a extremos. Análises comedidas, não; endossos apaixonados a qualquer tema, não importa sua complexidade. A politização do pensamento, a que espero, contraculturalmente, aderir cada vez menos, pede que a humanidade se divida em dois partidos opostos sobre tudo, sempre.

Tendo dito isto, vamos ao que penso. A ditadura militar foi um mal menor? Sim. O país estava prestes a se tornar uma sucursal da antiga União Soviética. Terroristas treinados agiram para implantar o comunismo no Brasil. Plantaram bombas, assaltaram bancos, mataram gente. Diante dessa situação, os militares usaram técnicas de guerra, com o apoio popular. Seria possível reagir de outra maneira? Creio que não, infelizmente.

Agora, devemos "comemorar" o acontecimento? Sim e não. O golpe, que impediu o mal maior, sim. O regime, com todos os seus desmandos e excessos, certamente não. Um mal menor deve ser encarado como o que é: um mal. Sim, o totalitarismo de esquerda é o inferno na terra em grau elevado. Mas uma ditadura deixa marcas difíceis de serem curadas e esquecidas. Por todos os que sofreram de verdade naquele contexto (não incluo nisto quem se exilou em Paris e hoje vive de indecorosas indenizações), prefiro não comemorar.

O que fica mais patente, porém, é que aqueles jovenzinhos vociferantes - com seus mestres e tutores partidarizados - que se levantaram contra o evento sobre a ditadura no centro do Rio, desprezando e cuspindo nos militares que dali saíram, precisam urgentemente se despir da sua capa de falso moralismo, de inocência fingida, e compreender que, no mesmo instante em que condenam a ditadura, defendem e promovem um sistema maldito que, em nome do amorrrrrr, matou cem milhões de pessoas em todo o mundo. Os militares cometeram erros, mas buscavam coibir terroristas, assassinos e assaltantes de bancos; os comunistas são muito mais democráticos em seus alvos e exterminam "classes" inteiras, levas e levas de pessoas, sem olhar a quem. Vamos deixar de hipocrisia e acabar de uma vez por todas com esse mimimi em relação a 1964: esquerdista, o que você quis para o Brasil naquele tempo (e ainda quer hoje!) é pior, muito pior, do que qualquer coisa que os militares possam ter feito. Quantitativa e qualitativamente.

Termino assim este texto: com todo o respeito pela dor das vítimas involuntárias da ditadura e com a mais profunda compaixão por aqueles que de fato confundiram o comunismo com o sonho por um mundo melhor; mas muito pouco respeito, muito pouco mesmo, pelos novos totalitários, comunistas de ontem e de hoje, que acusam os militares ao mesmo tempo em que ainda exaltam, depois de toda aquela matança comprovada, os demônios Lênin, Stálin, Pol Pot, Mao e Fidel Castro.
 
Fonte: http://www.normabraga.blogspot.com.br/2012/03/48-anos-depois-notas-sobre-ditadura.html

Divulgação: http://metodologiadoestudo.blogspot.com/