segunda-feira, 17 de março de 2014

A Nação que se salvou a si mesma

A Nação que se salvou a si mesma - I

O dia 31 de março de 2014 marcará o 50º aniversário do Movimento Cívico-Militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart e interrompeu temporariamente o processo de transformação do Brasil numa sucursal do comunismo soviético-castrista. Nos próximo dias, o blog da Juventude Conservadora da UnB publicará partes do artigo “A Nação que se salvou a si mesma”, de Clarence W. Hall, publicada na edição de novembro de 1964 da revista Seleções do Reader’s Digest. Por ser um artigo contemporâneo à Revolução de 1964, é uma narrativa bastante preciosa sobre o período que o País vivia então.

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Raramente uma grande nação estêve mais perto do desastre e se recuperou do que o Brasil em seu recente triunfo sôbre a subversão vermelha. Os elementos da campanha comunista para a dominação — propaganda, infiltração, terror — estavam em plena ação. A rendição total parecia iminente... e então o povo disse: Não!Esta narrativa conta como um povo defendeu resolutamente a sua liberdade. Mais do que isso, constitui um claro plano de ação para cidadãos preocupados em nações ameaçadas pelo comunismo.
O PALCO estava completamente armado e determinado o cronograma para a primeira fase da tomada de posse pelos comunistas. Nos calendários dos chefes vermelhos do Brasil — assim como nos de Moscou, Havana e Pequim — as etapas para a conquista do poder estavam marcadas com um círculo vermelho: primeiro, o caos; depois, guerra civil; por fim, domínio comunista total.

Havia anos que os vermelhos olhavam com água na bôca o grande país, maior que a parte continental dos Estados Unidos e que contém 80 milhões de habitantes, aproximadamente metade da população da América do Sul. Além de imensamente rico em recursos ainda inaproveitados, o Brasil era a enorme chave para todo o continente. Como o Brasil se limita com 10 países tôda a America do Sul, exceto Chile e Equador — seu domínio direto ou indireto pelos comunistas ofereceria excelentes oportunidades para subverter um vizinho após outro. A captura dêste fabuloso potencial mudaria desastrosamente o equilíbrio de forças contra o Ocidente. Comparada com isso, a comunização de Cuba era insignificante.

Por fim estava tudo preparado. A inflação piorava dia a dia; a corrupção campeava; havia inquietação por tôda a parte—condições perfeitas para os objetivos comunistas. O Govêrno do Presidente João Goulart estava crivado de radicais; o Congresso, cheio de instrumentos dos comunistas. Hàbilmente, anos a fio, os extremistas da esquerda tinham semeado a idéia de que a revolução era inevitável no Brasil. Dezenas de volumes eruditos foram escritos acêrca da espiral descendente do Brasil para o caos econômico e social; a maioria concordava em que a explosão que viria seria sangrenta, comandada pela esquerda e com um elenco acentuadamente castrista. Os brasileiros em geral olhavam o futuro com a fascinação paralisada de quem assiste impotente à aproximação de um ciclone. Uma expressão brasileira corrente era: “A questão não é mais de saber se a revolução virá, mas de quando virá.”

O país estava realmente maduro para a colheita. Os vermelhos tinham introduzido toneladas de munições por contrabando, havia guerrilheiros bem adestrados, os escalões inferiores das Forças Armadas estavam infiltrados, planos pormenorizados estavam prontos para a apropriação do poder, feitas as “listas de liquidação” dos anticomunistas mais destacados. Luiz Carlos Prestes, chefe do Partido Comunista Brasileiro, tecnicamente ilegal, mas agressivamente ativo, vangloriava-se publicamente: “Já temos o poder, basta-nos apenas tomar o Govêrno!”

Amadores Contra Profissionais

E ENTÃO, DE REPENTE — e arrasadoramente para os planos vermelhos — algo aconteceu. No último instante, uma contra-revolução antecipou-se à iniciativa dêles. A sofrida classe média brasileira, sublevando-se em força bem organizada e poder completamente inesperado, fêz sua própria revolução — e salvou o Brasil.

Sem precedentes nos anais dos levantes políticos sul-americanos, a revolução foi levada a efeito não por extremistas, mas por grupos normalmente moderados e respeitadores da lei. Conquanto sua fase culminante fôsse levada a cabo por uma ação militar, a liderança atrás dos bastidores foi fornecida e continua a ser compartilhada por civis. Sua ação foi rápida (cêrca de 48 horas do início ao término), relativamente sem derramamento de sangue (apenas uma dúzia de pessoas foi morta) e popular além de todas as expectativas.

Uma vitória colossal para o próprio Brasil, ela foi ainda maior para todo o mundo livre. Pois, como comentou um categorizado funcionário do Govêrno em Brasília: “Ela marca a mudança da maré, quando tôdas as vitórias pareciam ser vermelhas, e destrói completamente a afirmação comunista de que a ‘história está do nosso lado’.”

Quanto a seu significado, diz Lincoln Gordon, Embaixador dos Estados Unidos no Brasil: “Os futuros historiadores é bem possível que registrem a revolução brasileira como a mais decisiva vitória pela liberdade em meados do século XX. Esta foi unia revolução doméstica, feita com as próprias mãos, tanto na concepção como na execução. Nem um só dólar ou cérebro norte-americano foi empenhado nela!”

Como foi, exatamente, que os brasileiros conseguiram esta vitória magnífica? A história secreta desta legítima revolução do povo — planejada e executada por amadores mobilizados para a luta contra calejados revolucionários vermelhos — é um modelo para tôda nação analogamente ameaçada, uma prova animadora de que o comunismo pode ser detido de vez, quando enfrentado com energia por um povo suficientemente provocado e decidido.

Deriva Para o Caos

A HISTÓRIA começa pouco depois da renúncia do Presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961. Seu sucessor, o Vice-Presidente Goulart, de tendências esquerdistas, mal chegado de uma visita à Rússia e à China Vermelha, apenas assumiu o poder deixou transparecer claramente em que direção ia conduzir o país.

Sem ser comunista, Jango procedia como se o fôsse. Sedento de poder, Goulart julgava estar tornando os camaradas instrumentos de suas ambições; em vez disso, eram êles que faziam dêle seu instrumento. ÃS portas, há anos entreabertas à infiltração vermelha, foram escancaradas. A inflação, estimulada por enchentes de papel-moeda emitido em administrações anteriores e agora acelerada por Jango, subia em espiral, enquanto o valor do cruzeiro caía dia a dia. O capital, vitalmente necessário para desenvolver o país, fugia para o estrangeiro; os investimentos alienígenas secavam ràpidamente sob o pêso das restrições e das constantes ameaças de desapropriação.

“A Hora é Agora”

ALARMADOS com a perigosa deriva para o caos, alguns homens de negócio e profissionais liberais reuniram-se no Rio em fins de 1961, dizendo: “Nós, homens de negócio, não mais podemos deixar a direção do país apenas aos políticos.” Convocando outras reuniões no Rio e em São Paulo, declararam: “A hora de afastar o desastre é agora, não quando os vermelhos já tiverem o controle completo do nosso Govêrno!”

Dessas reuniões nasceu o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES), destinado a descobrir exatamente o que ocorria por trás do cenário político e o que se poderia fazer a respeito. Outras associações já existentes, como o CONCLAP (Conselho Superior das Classes Produtoras), formado pelos chefes de organizações industriais, tanto grandes como pequenas; o GAP (Grupo de Ação Política); o Centro Industrial e a Associação Comercial, também se empenharam em atividades de resistência democrática.

Essas organizações ramificaram-se rapidamente através do país. Embora agindo independentemente, êsses grupos conjugavam suas descobertas, coordenavam planos de ação. Produziam cartas circulares apreciando a situação política, faziam levantamentos da opinião pública e redigiam centenas de artigos para a imprensa respondendo às fanfarronadas comunistas.

Para descobrir como funcionava no Brasil o aparelho subterrâneo treinado por Moscou, o IPES formou seu próprio serviço de informações, uma fôrça-tarefa de investigadores (vários dentro do próprio Govêrno) para reunir, classificar e correlacionar informes sobre a extensão da infiltração vermelha no Brasil.



A Nação que se salvou a si mesma - II

Guarnecidos de Vermelhos

OS INVESTIGADORES não tardaram a descobrir um cavalo-de-tróia vermelho, de dimensões bem mais assustadoras do que alguém imaginava.Muitos comunistas disfarçados, “plantados” em ministérios e órgãos governamentais anos antes, tinham conseguido alçar-se até postos-chaves na administração federal. A maioria dos ministérios e repartições públicas estavam guarnecidos de comunistas e simpatizantes a serviço das metas de Moscou. O chefe comunista Prestes apregoava em público: “Dezessete dos nossos estão no Congresso” — todos eleitos em chapas de outros partidos. Além disso, dezenas de deputados simpatizantes faziam acordos com os comunistas, apoiando- os em muitas questões, sempre atacando o “imperialismo dos Estados Unidos” —mas jamais criticando a Rússia Soviética.

Comunistas não eram os ministros, mas os consultores de alto nível, e às vêzes apenas os subordinados ao ministro, ou os redatores de relatórios em que se baseavam altas decisões. Alguns alardeavam abertamente: “Não nos interessa quem faça os discursos, desde que sejamos nós que os escrevamos!” O Ministério de Minas e Energia era dominado completamente por um grupo assim. O Diretor-Geral dos Correios e Telégrafos, Dagoberto Rodrigues, oficial do Exército, conhecido como esquerdista, liberou certa vez grande quantidade de material de propaganda soviética e cubana apreendida pelo Govêrno Federal com a explicação vaga: “Examinei êste material e concluí que não é subversivo.”

Nos próprios sindicatos, o contrôle comunista era esmagador. Repetidamente o Govêrno intervinha em eleições sindicais a fim de garantir a escolha de candidatos comunistas, especialmente em indústrias que podiam prontamente paralisar o pais.

Atenção Especial à Educação

Darcy Ribeiro, fundador da UnB
O MAIS sabidamente infiltrado era o Ministério da Educação. Um dos mais íntimos conselheiros de Goulart era Darcy Ribeiro, que, como Ministro da Educação, serviu-se de cartilhas para ensinar a milhões de analfabetos o ódio de classes marxista.

Especialmente mimada pelo Ministério da Educação era a UNE (União Nacional dos Estudantes), cuja diretoria era completamente dominada por vermelhos e cujos 100.000 sócios constituem a maior organização estudantil nacional da América Latina. Durante anos um subsídio anual do Govêrno, de cêrca de 150 milhões de cruzeiros, era entregue aos diretores da UNE — sem que tivessem de prestar contas. Assim garantidos, êles se dedicavam integralmente à agitação política entre os estudantes. Parte dêsse subsídio era usada para financiar excursões à Cuba Vermelha e visitas a grupos irmãos de estudantes comunistas em outros países da América Latina.

Fortalecida ainda mais por substanciais fundos de guerra oriundos de Moscou, a UNE publicava panfletos inflamados e um jornal semanal marxista virulentamente antiamericano. Fingindo-se empenhado em combater o analfabetismo, um grupo da UNE passou dois meses distribuindo material de leitura, no qual se incluía o manual de guerrilhas do castrista “Che” Guevara — impresso em português por comunistas brasileiros da linha vermelha chinesa. Líderes da UNE especializavam-se em fomentar greves escolares e comícios estudantis, demonstrações públicas e distúrbios de rua.

Engenheiros do Caos

A INFILTRAÇÃO, constataram os investigadores, fôra-se tornando maior e cada, vez menos oculta a cada mês que passava. Suficientes para fazerem soar campainhas de alarma foram as nomeações de certos homens feitas logo no início do Govêrno Goulart, como Evandro Lins e Silva, eminente advogado, há muito defensor de causas comunistas, para Procurador-Geral da República; e Professor Hermes Lima, um admirador de Fidel Castro, para Primeiro- Ministro. (Ambos foram posteriormente nomeados para o Supremo Tribunal Federal.) O principal entre os mais veementes defensores de medidas esquerdizantes era Abelardo Jurema, Ministro da Justiça de Goulart. E o secretário de imprensa do Presidente era Raul Ryff, de ligações notórias com o Partido Comunista havia mais de 30 anos.

O principal porta-voz do regime Goulart era Leonel Brizola, cunhado de Jango, Governador do Estado do Rio Grande do Sul e depois Deputado pelo Estado da Guanabara. Ultranacionalista, odiando os Estados Unidos, Brizola era classificado como “um homem temeràriamente mais radical do que o próprio chefe vermelho, Luiz Carlos Prestes”.

Por tôda a parte havia “técnicos de conflito”, comunistas do caos. Adestrados em escolas de subversão atrás da Cortina de Ferro, eram peritos em criar o caos, para depois promover agitações em prol das “reformas”, levar o Govêrno a fazer grandes promessas que nunca poderia cumprir, e, em seguida, aproveitar o desespêro resultante para gritar: “Revolução!” O número dêsses técnicos não era grande — não havia mais de 800, tendo uns 2.000 adeptos em órgãos do Govêrno. Diz o Dr. Glycon de Paiva, do Conselho Nacional de Economia: “É tática comunista clássica darem a impressão de que são muitos. Na verdade, só uns poucos devotados são necessários para levar a efeito a derrubada de um país. Os povos livres cometem o êrro de não darem importância a qualquer fôrça sem efetivos consideráveis. Nós aprendemos pelo processo difícil.”

Quase diariamente vinham à luz as mais espantosas provas de que uma revolução vermelha estava em processo. No empobrecido Nordeste, onde se justificava a preocupação pelas flagrantes injustiças praticadas por abastados proprietários rurais contra camponeses famintos, “barbudos” de Castro perambulavam pelo campo suscitando a revolta. O transporte para instrutores cubanos em guerra de guerrilhas, assim como para centenas de jovens brasileiros que iam a Cuba fazer cursos especiais de subversão de 20 dias, era assegurado por aviões diplomáticos em vôos regulares de ida e volta para Havana. Irradiações da China Vermelha, em português, ficavam no ar quase oito horas por dia, conclamando os camponeses a se sublevarem contra os proprietários das terras.

Típico da eficiência dos investigadores democráticos foi a descoberta que fizeram, em setembro de 1963, de um grande carregamento de armas que se encontrava a caminho do Brasil, procedente da Europa Oriental. Alertado, o Exército Brasileiro enviou uma tropa ao navio e conseguiu confiscar toneladas de armas portáteis, munições, metralhadoras, equipamento de comunicações de campanha e montões de propaganda vermelha em português.

O Método “Enriqueça Depressa”

AS CONTÍNUAS investigações dos peritos de informação do IPES revelaram mais do que subversão. A corrupção generalizada — bem acima do comumente aceito como parte da vida política da América Latina — estendia-se do palácio presidencial para baixo. No momento em que Goulart e seus extremistas de esquerda atribuíam tôdas as dificuldades do Brasil aos “exploradores e sanguessugas norte-americanos”,  havia gente no Govêrno metendo as mãos no dinheiro público com a maior sem-cerimônia. Estava claro que qualquer auxílio a regiões empobrecidas, inclusive contribuições da Aliança Para o Progresso, tinham de transpor uma pesada pista de obstáculos de mãos ávidas e dedos ágeis.

João Goulart
Com uma renda declarada de menos de 50 milhões de cruzeiros em 1963, Goulart, por exemplo — conforme documentos apreendidos pelo Conselho Nacional de Segurança depois que êle fugiu para o exílio — gastou 236 milhões de cruzeiros somente em suas fazendas de Mato Grosso. Enquanto Goulart insistia no confisco das propriedades dos latifundiários e na distribuição da terra aos camponeses, os registros de imóveis demonstram que êle rapidamente somava imensas propriedades às que já tinha. Só depois que Jango fugiu pôde o Brasil medir a sinceridade dêle em matéria de partilha de terras. Proprietário de terras apenas em São Borja, quando iniciou sua vida pública, ao abandonar o país em abril passado Goulart era o maior latifundiário do Brasil, possuindo em seu nome mais de 7.700 quilômetros quadrados de terras, uma área quatro vêzes e meia superior à do Estado da Guanabara.

E havia os que compartilhavam as oportunidades de ficarem ricos depressa. Indiscrições sôbre uma iminente mudança na política oficial, como sôbre taxas de câmbio, davam milhões a favoritos palacianos. Empreendimentos de qualquer gênero eram vinculados a comissões e retribuições em dinheiro.

Verificou-se que um membro do estafe de Jango tinha um “bico” como “ministro-conselheiro de assuntos econômicos numa embaixada no exterior” — emprego a que nunca dedicou um dia de trabalho, mas adicionava mais de 15 milhões de cruzeiros ao seu salário anual de oito milhões e meio. O tráfico de influência era um fato. Um dos deputados do Partido Trabalhista, de Goulart, estava fazendo uma fortuna acrescentando 1.295 funcionários à sua fôlha de pagamento em troca de uma fatia dos vencimentos dêles.

Outro negociozinho confortável, explorado por um “do peito” do Govêrno, era conseguir bons empregos públicos para quem pudesse pagar-lhe uma taxa de um milhão e meio de cruzeiros. Um governador de Estado estava fazendo fortuna com contrabando; outro recebeu uma verba de seis bilhões e meio de cruzeiros para a construção de rodovias e calmamente embolsou o total.

Além de tôdas essas velhacarias de alto calibre, que podiam ser documentadas, inúmeros milhões de cruzeiros desapareciam sem deixar rastro no poço sem fundo da corrupção que campeava.

Fonte via:
http://unbconservadora.blogspot.com.br/2014/03/a-nacao-que-se-salvou-si-mesma-i.html

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